I think it also applies to expletives. Check for example ⟨vagabunda⟩* /va.ga.'bũ.da/; if there was some pressure to keep the stressed syllable it would be clipped into *bunda or *gabunda, but it’s usually clipped into ⟨vagaba⟩ instead. Technically the /b/ from the stressed syllable is still there, but the core /ũ/ ⟨un⟩ is gone.
*gotta explain this one to the folks here. “Vagabunda” means whore, promiscuous woman, etc. It’s highly offensive, way more than the nearest English equivalent (slut), it’s the sort of word to not use even in a joke. (The masculine “vagabundo” is depreciative but socially acceptable — it means lazy arse, do-nothing.)
Nicknames are often erratic — cue to Juca (Joaquim), Chico (Francisco; no idea why the /ʃ/), Mafê (Maria Fernanda). I don’t know why, but I feel like they work through a different logic than simple shortenings.
Se incomoda se eu responder em português? Então, pra resumir a missa: tenho quase certeza que o xingamento (viado) vem do nome do bicho (veado). Motivos:
Em português é comum alçar [e o] para [i u] logo antes da sílaba tônica; principalmente em hiato, que vira ditongo, e o [i u] vira [j w]. (O nome técnico disso é “alçamento pré-tônico”, caso queira procurar papers sobre o assunto.)
Palavrões muitas vezes são escritos com uma ortografia mais popular, não-padrão, representando a pronúncia. Há outros exemplos disto; tipo boceta→buceta, foder→fuder, até mesmo caralho→caraio (e olha que [ʎ] “lh” →[j] “i” é bem restrito dialetalmente)
Há outras expressões usadas para atacar a comunidade gay, associando-os com bichos saltitantes; tipo “gazela”, “biba saltitante”, etc. Tem também “bambi”, mas essa é claramente derivativa de “viado”.
Convincente. Dei uma pesquisada e me deparei com esse texto aqui, que atribui a origem do termo a um homem específico, um socialite português que vivia em Niterói, dono da marca Cigarros Veado e notório por suas escapadas com homens. O jornalista que inxestigou o assunto descartou as hipóteses do desviado/transviado.
Realmente o mistério é mais difícil de solucionar do que parece à primeira vista.
Realmente o mistério é mais difícil de solucionar do que parece à primeira vista.
É geralmente assim com palavrão, a etimologia é sempre uma bagunça. Eles são usados constantemente então o significado evolui muito rápido, só que quase não tem registro, as pessoas evitam de escrevê-los.
Só pra te dar um exemplo. Um dos palavrões com etimologia mais bem estudada é o “merda” do latim. Sabemos ser herdado do proto-indo-europeu, e que os falantes de latim usavam-no direto, já que tudo quanto é língua neolatina herdou a merda. Mesmo assim a gente quase não sabe em que situações os falantes de latim usavam a palavra, porque quase nunca era escrita; só em uns epigramas do Marcial e umas pichações em Pompeia. (inb4 sim, é o mesmo “merda” do português.)
Com esses insultos é a mesma coisa. As pessoas evitam de registrar. E nisso a gente perde a história deles.
I think it also applies to expletives. Check for example ⟨vagabunda⟩* /va.ga.'bũ.da/; if there was some pressure to keep the stressed syllable it would be clipped into *bunda or *gabunda, but it’s usually clipped into ⟨vagaba⟩ instead. Technically the /b/ from the stressed syllable is still there, but the core /ũ/ ⟨un⟩ is gone.
*gotta explain this one to the folks here. “Vagabunda” means whore, promiscuous woman, etc. It’s highly offensive, way more than the nearest English equivalent (slut), it’s the sort of word to not use even in a joke. (The masculine “vagabundo” is depreciative but socially acceptable — it means lazy arse, do-nothing.)
There are other exceptions, though. Take the nickname for Fernanda, Nanda [nɜ᷈dɐ]
Nicknames are often erratic — cue to Juca (Joaquim), Chico (Francisco; no idea why the /ʃ/), Mafê (Maria Fernanda). I don’t know why, but I feel like they work through a different logic than simple shortenings.
Good argument. But then where do you think viado comes from?
Se incomoda se eu responder em português? Então, pra resumir a missa: tenho quase certeza que o xingamento (viado) vem do nome do bicho (veado). Motivos:
Convincente. Dei uma pesquisada e me deparei com esse texto aqui, que atribui a origem do termo a um homem específico, um socialite português que vivia em Niterói, dono da marca Cigarros Veado e notório por suas escapadas com homens. O jornalista que inxestigou o assunto descartou as hipóteses do desviado/transviado.
Realmente o mistério é mais difícil de solucionar do que parece à primeira vista.
É geralmente assim com palavrão, a etimologia é sempre uma bagunça. Eles são usados constantemente então o significado evolui muito rápido, só que quase não tem registro, as pessoas evitam de escrevê-los.
Só pra te dar um exemplo. Um dos palavrões com etimologia mais bem estudada é o “merda” do latim. Sabemos ser herdado do proto-indo-europeu, e que os falantes de latim usavam-no direto, já que tudo quanto é língua neolatina herdou a merda. Mesmo assim a gente quase não sabe em que situações os falantes de latim usavam a palavra, porque quase nunca era escrita; só em uns epigramas do Marcial e umas pichações em Pompeia. (inb4 sim, é o mesmo “merda” do português.)
Com esses insultos é a mesma coisa. As pessoas evitam de registrar. E nisso a gente perde a história deles.
Muito interessante. Você trabalha com linguística ou é só interessado no assunto?
Minha segunda facul foi letras com habilitação em linguística. Queria ter trabalhado com isso, mas hoje em dia sou só um tradutor mequetrefe :P
Ah, não desista do sonho! Uma hora você vai ter a oportunidade de trabalhar com o que quer!
Minha namorada é formada em Letras-linguística e eu acho muito interessante, ela volta e meia me dá umas aulas.