• Lvxferre [he/him]@mander.xyz
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    2 days ago

    Viado comes from desviado, which means someone who was driven off the proper path. It’s just a matter of homophony (and homophobia).

    I’ve seen people backtracking the etymology to desviado and transviado. I don’t buy it because clipping (truncamento) in Portuguese usually preserves the start of the word, even at the expense of the stressed syllable; e.g.

    • universidade university → uni
    • refrigerante fizz, soda, coke, pop → refri
    • depressivo depressed → deprê

    So following the same pattern for “desviado” the result would be *des or *desvi, not “viado”.

    • Peruvian_Skies@sh.itjust.works
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      2 days ago

      The explanation may be as simple as that the word works better as an expletive by keeping the stressed syllable. All the examples you gave are “friendly” clippings but “viado” is derogatory.

      • Lvxferre [he/him]@mander.xyz
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        2 days ago

        I think it also applies to expletives. Check for example ⟨vagabunda⟩* /va.ga.'bũ.da/; if there was some pressure to keep the stressed syllable it would be clipped into *bunda or *gabunda, but it’s usually clipped into ⟨vagaba⟩ instead. Technically the /b/ from the stressed syllable is still there, but the core /ũ/ ⟨un⟩ is gone.

        *gotta explain this one to the folks here. “Vagabunda” means whore, promiscuous woman, etc. It’s highly offensive, way more than the nearest English equivalent (slut), it’s the sort of word to not use even in a joke. (The masculine “vagabundo” is depreciative but socially acceptable — it means lazy arse, do-nothing.)

          • Lvxferre [he/him]@mander.xyz
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            1 day ago

            Nicknames are often erratic — cue to Juca (Joaquim), Chico (Francisco; no idea why the /ʃ/), Mafê (Maria Fernanda). I don’t know why, but I feel like they work through a different logic than simple shortenings.

          • Lvxferre [he/him]@mander.xyz
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            1 day ago

            Se incomoda se eu responder em português? Então, pra resumir a missa: tenho quase certeza que o xingamento (viado) vem do nome do bicho (veado). Motivos:

            1. Em português é comum alçar [e o] para [i u] logo antes da sílaba tônica; principalmente em hiato, que vira ditongo, e o [i u] vira [j w]. (O nome técnico disso é “alçamento pré-tônico”, caso queira procurar papers sobre o assunto.)
            2. Palavrões muitas vezes são escritos com uma ortografia mais popular, não-padrão, representando a pronúncia. Há outros exemplos disto; tipo boceta→buceta, foder→fuder, até mesmo caralho→caraio (e olha que [ʎ] “lh” →[j] “i” é bem restrito dialetalmente)
            3. Há outras expressões usadas para atacar a comunidade gay, associando-os com bichos saltitantes; tipo “gazela”, “biba saltitante”, etc. Tem também “bambi”, mas essa é claramente derivativa de “viado”.
            • Peruvian_Skies@sh.itjust.works
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              21 hours ago

              Convincente. Dei uma pesquisada e me deparei com esse texto aqui, que atribui a origem do termo a um homem específico, um socialite português que vivia em Niterói, dono da marca Cigarros Veado e notório por suas escapadas com homens. O jornalista que inxestigou o assunto descartou as hipóteses do desviado/transviado.

              Realmente o mistério é mais difícil de solucionar do que parece à primeira vista.

              • Lvxferre [he/him]@mander.xyz
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                18 hours ago

                Realmente o mistério é mais difícil de solucionar do que parece à primeira vista.

                É geralmente assim com palavrão, a etimologia é sempre uma bagunça. Eles são usados constantemente então o significado evolui muito rápido, só que quase não tem registro, as pessoas evitam de escrevê-los.

                Só pra te dar um exemplo. Um dos palavrões com etimologia mais bem estudada é o “merda” do latim. Sabemos ser herdado do proto-indo-europeu, e que os falantes de latim usavam-no direto, já que tudo quanto é língua neolatina herdou a merda. Mesmo assim a gente quase não sabe em que situações os falantes de latim usavam a palavra, porque quase nunca era escrita; só em uns epigramas do Marcial e umas pichações em Pompeia. (inb4 sim, é o mesmo “merda” do português.)

                Com esses insultos é a mesma coisa. As pessoas evitam de registrar. E nisso a gente perde a história deles.